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Agricultores em Sidrolândia estão apreensivos com queda de 44% no preço do milho

Produtores afirmam temer que a conta não feche diante da desvalorização verificada no milho em relação ao mesmo período do ano passado

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Divulgação

A desvalorização do milho em 44% no comparativo com o ano passado tem tirado o sono dos produtores em Mato Grosso do Sul. Em Sidrolândia, segundo município que mais produz o grão no estado, há produtor acelerando as vendas de soja para armazenar o cereal na expectativa de melhoria no preço.

A saca de 60 quilos de milho em Sidrolândia vale hoje R$ 43. O valor é bem abaixo dos R$ 76 visto há um ano. Para a produtora Mayara Comparim seria um “sonho” se o milho hoje estivesse nos mesmos patamares de 2022.

O atual cenário do mercado, é o principal motivo de alerta entre os agricultores no estado, segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), que não tem perspectiva de alta a curto e médio prazo.

“Isso é um assunto que tem tirado o sono de nós produtores, porque você pensa no milho que te custa 100 sacas por hectare e a média histórica do estado é de menos de 90 sacas por hectare e a gente está numa janela de produção, embora os milhos estejam bonitos, que a gente plantou muito tarde. É a receita para o produtor não dormir à noite”, diz André Dobashi, presidente da Aprosoja-MS.

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Frente à incerteza de preços, o produtor Ademir Comparim revela ter decidido manter a comercialização de milho em compasso de espera. Ele comenta que vai esvaziar os silos que estão com soja para abrir espaço para o cereal até que os preços comecem a reagir.

“Como a gente não tinha mais perspectiva de alta na soja, a gente apostou em vender ela no momento e vamos esperar armazenar o milho para ver um preço mais no futuro se melhora”.

Em Sidrolândia foram semeados nesta safra 2022/23 200 mil hectares com milho. Segundo produtores no município sul-mato-grossense, além do preço, outro temor que bate na porta é quanto ao clima.

Ademir Comparim comenta que as lavouras estão com bom desenvolvimento, apesar da janela de plantio ter se estendido em 30 dias. “Não tinha como. As sementes já estavam compradas”, salienta Ademir.

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Mesmo com o bom desenvolvimento, o agricultor revela estar cauteloso quanto às vendas do cereal, não só em decorrência aos preços, mas também ao clima. Até o momento ele comercializou antecipadamente apenas 25% da produção estimada.

“Você vendo aí o milho está a coisa mais linda, mas, Deus nos livre, e se der uma geada e você vai fazer comercialização. Como é que você vai buscar esse produto? Então, para comercializar mais o bom é ele estar dentro do silo”.

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