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Em protesto inédito, juízes de MS vestem preto em apoio a Sérgio Moro

Para manifestar apoio a Moro, magistrados desceram a rampa do Fórum de Campo Grande de preto na tarde de hoje (Foto: Alan Nantes)

Funcionários e cidadãos que estavam na tarde desta quinta-feira (17) no Fórum de Campo Grande presenciaram uma cena inusitada e inédita. Às 14h em ponto, 32 Juízes desceram a rampa interna do prédio vestidos de preto, ato de apoio ao juiz federal Sérgio Moro, que recentemente quebrou o sigilo do processo da Operação Lava-Jato, divulgando conversas telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Presidente Dilma Rousseff, ambos do PT.

Os diálogos divulgados por Moro, na quarta-feira (16), sugerem esquema para nomear Lula como ministro-chefe da Civil, de forma que ele tivesse foro privilegiado durante as investigações. A nomeação foi suspensa pela Justiça instantes depois da posse do ex-presidente.

No Fórum de Campo Grande, o grupo iniciou a descida, em silêncio, no quarto andar, chegou ao saguão, localizado no térreo e saiu do prédio pela rua Barão do Rio Branco, quando cerca de 100 pessoas, entre funcionários, assessores e cidadãos se uniram. Vários funcionários aplaudiram a atitude dos juízes das janelas do prédio.

O juiz Luiz Felipe Medeiros Vieira, presidente da Amansul (Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul), leu um manifesto da Associação que declara total apoio ao juiz federal Ségio moro, repudia todo meio que tenta perturbar a independência do poder judiciário e apoia integralmente o combate à corrupção no país.

Segundo o manifesto, as atitudes de Moro foram tomadas dentro dos tramites da lei.

Entendeu o juiz que conduz esse processo que não era mais necessário o sigilo do mesmo. Vamos esclarecer que o sigilo é uma regra especial. A regra geral é que todo processo penal seja público. Na sua decisão, que por sinal foi muito bem fundamentada, o juiz definiu que era garantia da democracia que todos os brasileiros tivessem o conhecimento de como anda a investigação, diz o texto.

Toda a ação durou cerca de 15 minutos. O presidente da Amansul foi o único a se pronunciar, com a leitura do manifesto. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, o expediente na instituição foi normal e nenhuma audiência foi cancelada em razão do protesto.

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