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Estado Islâmico sequestra mais de 300 civis em fábrica na Síria

Empregados de fábrica de cimento na região de Dmeir foram alvos.Governo prepara retorno dos primeiros deslocados de Palmira.

Foto de 31 de março mostra as ruinas do Templo de Bel, destruído pelo Estado Islâmico, na cidade de Palmira, na Síria (Foto: AFP Photo/Joseph Eid)

Mais de 300 empregados de uma fábrica de cimento síria foram sequestrados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que, contudo, sofreu uma nova derrota ao perder sua principal passagem para a Turquia.Expulsos de Palmira e Al-Qaryatayn (centro) e na defensiva em Aleppo, o EI lançou na segunda-feira uma ofensiva na região de Dmeir, no nordeste de Damasco, onde sequestrou mais de 300 funcionários de uma fábrica de cimento, segundo a agência oficial síria Sana.

Grupos terroristas vinculados o Daesh (EI em árabe) sequestraram mais de 300 empregados e executivos da fábrica de cimento Al Badia, na província de Damasco. A companhia informou a ministério da Indústria que não conseguiu contatar as pessoas sequestradas.

Apesar da ofensiva dos extremistas em Dmeir, o governo prepara o retorno dos primeiros deslocados de Palmira, que poderão retornar para casa depois que as tropas do regime reconquistaram a cidade em 27 de março.

A localidade de Dmeir está dividida entre as zonas controladas pelo EI, ao leste, e as posições rebeldes ao oeste, mas o aeroporto militar e as centrais de energia elétrica permanecem sob poder do governo.

Os confrontos mais violentos estão acontecendo perto do aeroporto e das centrais elétricas, mas o EI ainda não conseguiu entrar, disse Rami Abdel Rahman, diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Desde domingo, o EI conquistou cinco posições do governo na região, incluindo dois postos de controle.

Uma moradora de Dmeir que pediu para não ser identificada disse à AFP que era possível ouvir os bombardeios nas proximidades da cidade.

A mulher disse que a situação nos bairros da zona leste era muito tensa, sem energia elétrica ou água.Retorno a PalmiraAo mesmo tempo, o governo organiza os primeiros retornos a Palmira.

O primeiro grupo de ônibus com residentes que voltarão a Palmira deve sair no sábado. Os moradores começaram o registro hoje, disse à AFP uma fonte do governo provincial.

A maior parte da população que morava em Palmira antes da cidade ser capturada pelo EI fugiu quando o grupo chegou à região.

As estimativas são de que 70 mil pessoas viviam em Palmira antes da chegada do EI e que 15 mil permaneceram, mas as autoridades desconhecem o paradeiro de vários moradores.

De acordo com o governo, 45% dos bairros foram destruídos.

Esta semana, as autoridades começaram a restabelecer a rede de energia elétrica e a reconstruir as casas, segundo o governador provincial, Talal Barazi.

Durante o período de ocupação, o EI destruiu muitos monumentos, incluindo o templo de Bel. Os extremistas usaram o antigo anfiteatro como palco para as execuções públicas.

Passagem com a TurquiaDez dias após perder a histórica cidade de Palmira, os rebeldes sírios tomaram, nesta quinta-feira (7), o controle da principal passagem com a Turquia utilizada pelo EI, segundo informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Facções rebeldes e islamitas assumiram o controle da parte nordeste de al-Rai, localidade na fronteira com a Turquia na província de Aleppo, indicou à AFP Rami Abdel Rahmane, diretor do OSDH, acrescentando que se trata da principal e uma das últimas passagens entre os dois países.

O Observatório, que dispõe de uma ampla rede de fontes em toda a Síria, também informou que dois líderes do EI, um encarregado da região de Al-Bab (província de Aleppo) e um responsável pela eletricidade, foram mortos em um ataque realizado por aviões da coalizão internacional nas proximidades de Al-Rai.

Há dez dias, o grupo extremista perdeu para os rebeldes pelo menos 18 aldeias na província de Aleppo. Para Abdel Rahman, todas as partes em conflito na Síria parecem concentrar suas operações contra o EI, seja rebeldes, regime ou curdos.

Neste sentido, as partes beneficiam de um cessar-fogo patrocinado por Washington e Moscou e que exluí os grupos extremistas.

O conflito na Síria deixou desde 2011 mais 270.000 mortos, obrigando mais da metade da população a fugir de suas casas.

Diálogos de pazNo plano diplomático, o mediador da ONU para a Síria indicou que a próxima rodada de negociações interssírias em Genebra não acontecerá em 11 de abril, mas na quarta-feira 13 de abril, dia em que o regime de Damasco planeja realizar eleições legislativas nos territórios sob seu controle.

Antes da retomada do diálogo indireto entre os rebeldes e o regime sírios, cujo precedente terminou sem avanço concreto, Staffan de Mistura informou que visitará Moscou e Teerã, aliados do regime do presidente Bashar al-Assad.

As Nações Unidas também anunciaram que preparam para a próxima semana a evacuação de cerca de 500 feridos e doentes bloqueados em quatro localidades sitiadas na Síria, duas pelo regime e seus aliados e duas outras pelos rebeldes.

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