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Idosa viajava semanalmente para rituais de tortura de menino, diz polícia

Avó adotiva participou de acareação nesta quarta-feira (2) e negou crime.Genro alegou que suspeita obrigou e ensinou todo o ritual para a esposa.

Suspeitos participaram de acareação nesta quarta-feira (2) (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

A mulher de 60 anos suspeita de comandar as sessões de tortura do menino de 4 anos viajava semanalmente de Aquidauana (MS) a Campo Grande para os rituais de magia negra. A rotina da idosa, que é avó adotiva da criança, foi descoberta nesta quarta-feira (2) durante acareação entre ela e outros dois apontados pela polícia como envolvidos no crime.

“Nossa investigação aponta que ele vinha com frequência, desde setembro do ano anterior, para realizar estes rituais. A mulher negou a sua participação efetiva, tanto ontem quando foi presa como nesta manhã. No entanto, o depoimento dos outros três envolvidos prevaleceu sobre a versão dela”, afirmou ao G1 o delegado Paulo Sérgio Lauretto, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

Além de ouvir a idosa, o suspeito de 46 anos e o jovem de 18 anos, o delegado ainda leu para os três trechos do depoimento da suspeita de 31 anos. Ela está presa em Corumbá, porém também apontou a sua mãe como mentora dos crimes e como a pessoa quem a ensinou a realizar os rituais.

“Enquanto os outros dois falavam, a mulher balançava a cabeça e os chamava de mentirosos. Ela demonstra calma a todo momento, com fala articulada e fria. Em sua primeira oitiva, a idosa alegou ter visto o menino apenas uma única vez, em novembro de 2015. Após isso, questionada novamente, ela informou outro mês”, comentou o delegado.

Sobre a participação no crime, o pedreiro afirmou ao G1 que não agrediu o menino e que a esposa foi induzida pela mãe a praticar o crime. “Não maltratava ele porque era bendizer o meu filho. Nunca bati nele nem o queimei com cigarro e coisas do tipo. Eu saía de casa às 6h para trabalhar e retornava às 18h, então nem sabia o que acontecia lá”, comentou.

Ele também disse estar muito arrependido por não ter denunciado a sogra. “Ela vinha deAquidauana sempre e um dia chegou dizendo que a filha dele participaria de rituais de magia branca, apenas com orações. Mas, de repente, ela foi para o outro lado. Só me sinto culpado de não denunciá-la antes”, disse o pedreiro.

Já o jovem de 18 anos ressaltou novamente que a idosa é a mentora de todos estes crimes. “Era ela quem fazia tudo e tem que ser julgada por isso. Eu estava trabalhando, em Aquidauana e ela é a mentora de tudo o que aconteceu com este menino”, explicou o suspeito.

PrisõesA idosa foi presa na terça-feira (1º), em Aquidauana, a 131 quilômetros de Campo Grande. Além dela, os tios-avós, que tinham a guarda judicial do menino, e um primo de 18 anos estão presos. Os três confessaram o crime, alegando que agiam sob influência de uma entidade espiritual.

O casal afirmou que agredia a criança em situações fora dos rituais de magia negra. Os nomes dos tios-avós não serão divulgados nesta reportagem para garantir os direitos de proteção da criança.

Alta médicaO menino deve receber alta até o próximo domingo (6), segundo a Santa Casa de Campo Grande, e voltará para uma instituição de acolhimento, de acordo com a conselheira tutelar Cassandra Szuberski.

Visita surpresaO menino morava com os tios-avós e duas filhas do casal em uma residência no Centro de Campo Grande. Os vizinhos não desconfiavam das agressões, que só foram descobertas durante visita surpresa da equipe da unidade de acolhimento onde o garoto vivia antes.

A criança foi internada na Santa Casa com queimaduras no rosto, fratura em um dos braços, ferimentos nos olhos e saco escrotal na terça-feira (23) e o caso chocou profissionais das polícias militar e civil, Conselho Tutelar e médicos.

InvestigaçãoAlém dos quatro presos foram ouvidos as duas filhas biológicas do casal suspeito e a vítima. As filhas do casal afirmaram para a polícia que o menino era super apegado com a suspeita, mãe delas.

Lauretto disse que o menino estava muito traumatizado, assustado e sob efeito de medicamento quando foi ouvido por psicólogos no hospital, por isso, não foi considerado depoimento.

FamíliaO homem preso é irmão da avó paterna biológica do menino. Ele e a esposa teriam sido os familiares mais próximos interessados na guarda da criança, depois que a avó paterna devolveu a criança à Justiça alegando que não tinha condições de cuidá-la.

Segundo a polícia, os pais biológicos do menino são usuários de droga e o abandonaram. Em depoimento, a tia-avó contou que quis adotar a criança com intenção de utilizá-la em rituais de sacrifício.

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