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Polícia prende 3° suspeito de torturar menino de 4 anos em Campo Grande

Delegado diz que jovem foi cercado em casa e preso nesta quarta (24).Suspeito já confessou saber da situação do menino, mas nega participação.

Tortura de criança por pais adotivos chocou polícia, diz delegada de MS (Foto: Reprodução/ TV Morena)

A Polícia Civil prendeu no início da tarde desta quarta-feira (24), em Aquidauana, a 131 quilômetros de Campo Grande, o jovem de 18 anos suspeito de envolvimento nos rituais de tortura de um menino de 4 anos e 8 meses.Ao G1 o delegado Antônio Ribas, da delegacia do município, explicou que o suspeito está sendo interrogado e apresenta contradições.

“Nós obtivemos uma informação e chegamos na residência onde possivelmente ele estaria. A casa ficou cercada e ele até tentou fugir pelos fundos, mas efetuamos a prisão. Inicialmente, ele negou os fatos, porém depois disse que estava sabendo do que ocorria”, comentou o delegado.

Ainda conforme Ribas, após cumprir o mandado de prisão e realizar o interrogatório, o suspeito possivelmente será transferido para a capital sul-mato-grossense. Ele deve responder por tortura, abandono, entre outros crimes. O suspeito não possuía antecedentes criminais.

FamíliaO homem preso era tio-avô do menino e ele e a esposa teriam sido os familiares mais próximos interessados na adoção, depois que a avó materna deixou a criança com a Justiça alegando que não tinha condições de cuidá-la.

Até a publicação desta reportagem a polícia não tinha informações sobre o paradeiro dos pais. Ele não frequentava escola. Eles moravam nos fundos de um prédio comercial no Centro da capital sul-mato-grossense, em uma espécie de cortiço ao lado de outras três residências.

Vizinhos afirmaram à polícia não terem suspeitado da situação. O casal foi indiciado por tortura qualificada por lesão grave com a pena aumentada pela vítima ser criança e abandono de incapaz.

Entenda o casoAs lesões foram verificadas nessa terça-feira (23) durante visita de profissionais de um abrigo, tida como de rotina às famílias que adotam crianças que já ficaram abrigadas. O menino foi encaminhado à Santa Casa e após constatação médica de que os ferimentos tinham sido causados por agressões, a tia-avó que o adotou, de 31 anos, foi presa, ainda no hospital.

O menino tinha queimaduras no rosto, um dos braços quebrados, ferimentos nos olhos, no saco escrotal e vários hematomas. A córnea de um dos olhos foi atingida e ele ficou cego. A visão do outro olho pode ficar comprometida.

O marido dela, de 46 anos, foi preso em seguida e a polícia procura por um terceiro suspeito, que seria um rapaz de 18 anos, que já tem passagem por tráfico de drogas. O jovem também é sobrinho do casal.

A assessoria de imprensa do hospital informou que a vítima está consciente e na sala de emergência da pediatria, em processo de drenagem cirúrgica de abscesso extenso na orelha esquerda. Ainda conforme a Santa Casa, o menino possui apenas 20% da visão em um dos olhos e ficou cego do outro. Profissionais da cirurgia plástica também constataram extensas queimaduras na face e no pescoço.

Conforme a delegada que atendeu à ocorrência, Priscilla Anuda Quarti, o casal disse que adotou a criança em maio de 2015 já com a intenção de sacrificá-la em rituais de magia negra e que as agressões também aconteciam em outras situações.

Os rituais, conforme depoimento dos suspeitos à polícia, eram realizados de três a quatro vezes por semana, à noite, na sala da residência onde moravam, além da vítima e dos presos, duas filhas do casal: uma de 9 anos e outra de 13. Elas não eram agredidas, porém, assistiam aos rituais.

Apesar de alegar que estava sob efeito de entidade espiritual durante as agressões, a mulher, segundo Priscilla, contou com detalhes as torturas. A criança era queimada com charutos e pinga quente.

Objetos usados na tortura foram encontrados na casa dos tios presos (Foto: Divulgação/ Polícia Civil de MS)

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