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Quem tem 60 anos - ou mais - conta o que faz para ser feliz

Na UCDB, homens jogam vôlei e mostram como é possível chegar à velhice sem ter medo de se divertir (Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado)

Jogar voleibol com colegas em uma segunda-feira, viajar para um resort natural no fim de semana, fazer confraternizações ou participar de aulas de português, matemática, entre outras disciplinas. Ao imaginar a idade à qual uma rotina como esta corresponderia, o senso comum traz à lembrança a fase jovem. Mas há homens e mulheres com 60 anos, ou próximos desta idade, que vivem assim em Campo Grande.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Qualibest, “Como os brasileiros encaram o envelhecimento”, o sonho de muitos é chegar à velhice com saúde e empolgação para poder viajar muito, ter um relacionamento estável, além de poder se manter ativo e praticando exercícios.  

A pesquisa mostrou, em outro recorte também inédito, que a maioria dos entrevistados acredita que envelhecerá com saúde (75%), próxima dos familiares (70%), com tempo para realizar seus sonhos (67%) e estabilidade financeira (66%). 

EXPERIÊNCIA

Muitas vezes, querer é poder. Mas, para poder ter uma velhice saudável, também é necessário encontrar meio de continuar levando a vida de maneira saudável e divertida. Para saber a “fórmula do sucesso”, a reportagem do Correio do Estado fez uma visita ao projeto Universidade da Melhor Idade, realizado pela Universidade Católica, que busca garantir a quem tem mais de 50 anos melhor qualidade de vida.

Pelos depoimentos, tem funcionado bem. “A gente está indo contra a maré, é a sensação que fica. É muito comum que pessoas mais velhas acabem sedentárias e solitárias. Comigo é o oposto. Tenho amigos, pratico esportes, viajo. É muito divertido”, comenta Marly Rodrigues, professora de matemática aposentada. Aos 72 anos, ela tem a oportunidade de retomar um de seus hobbies de adolescência: o voleibol.

“Eu fiz parte da seleção de voleibol  de Campo Grande”, conta, bem-humorada. Junto dela, Manuela da Silva, 59 anos, também espera pela partida. “Estou aqui há oito anos. Se estou há tanto tempo, é porque eu gosto, né?” Manuela e Marly aguardam a entrada do time em uma partida de voleibol adaptado. Enquanto esperam, Monica Walker marca os pontos do time que está na quadra.

Aos 54 anos, a professora já se planeja para a vida depois dos 60. “Devo me aposentar em menos de três anos. Quero me manter ativa, viajar, fazer esportes. Aproveitar ao máximo”, comenta. Segundo ela, tão importante quanto a saúde física é a saúde mental. “Fazer atividades em grupo nessa fase da vida é terapêutico. É fundamental”, comenta.

Heraldo Ferreira, 80 anos, foi um dos que encontrou nas atividades coletivas como esportes e viagens uma oportunidade para lidar com a dor. “Após o falecimento da minha esposa, em 2006, eu percebi que precisava fazer algo para colocar a cabeça no lugar”, explica. Militar da reserva, ele conta que as amizades que criou no grupo foram essenciais. “No fim de semana, viajamos para Corguinho. É algo que renova, nos deixa saudáveis”, explica. Mesmo com o dedo machucado em razão dos esportes, ele não desanima. “Faz parte, né?”

No ranking mundial, o Brasil ocupa o 56º lugar entre os melhores países para idosos. Atualmente, o País ocupa o 15º lugar entre os países com mais idosos. A previsão é de que até 2050 a população com mais de 60 anos cresça para 22,5 do total de brasileiros. O crescimento, segundo especialistas, pode ser radical. “Em 30 anos, passaremos por uma mudança que na França, por exemplo, representou um processo de 120 anos”, compara o ex-ministro da Previdência José Cechin. Melhorar as garantias para mais qualidade de vida a quem envelhece parece urgente nesse contexto.

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